KPC: ações para enfrentar a bactéria da década


Segundo estudos, a bactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbopenemase) existe desde a década de 80 e teve o primeiro surto em Nova York em 2003 quando 47% dos pacientes afetados evoluíram em óbito. No Brasil o primeiro caso aconteceu em 2005. Desde então, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, priorizou medidas para combater uma possível disseminação da bactéria.

Hospitais, redes e unidades de saúde se unem em 2011, conforme protocolo do Ministério da Saúde, para planejar medidas de, além do combate, prevenir a KPC já responsável por 42 mortes no país até outubro de 2010. Os óbitos aconteceram nos estados de São Paulo e Distrito Federal.

A KPC é uma bactéria comum que precisa sobreviver no organismo em que se forma. Com o uso indiscriminado de antibióticos ela desenvolve mecanismos de resistência que passa a destruir o antibiótico. A partir de três dias de internação, a atenção com os pacientes deve ser redobrada para as infecções.

O Serviço de Controle de Infecção Hospitalar, SCIH do Hospital e Maternidade Vital Brazil, em Timóteo, programou para este início de ano diversas atividades com palestras e campanhas para interagir colaboradores e profissionais sobre o surgimento de bactérias que se tornam resistentes entre os pacientes internados.

"O Hospital comporta quase 80 leitos, quanto mais pacientes em uma unidade, maiores são as chances de acontecerem casos de bactérias multirresistentes entre os internados. Os setores mais críticos são a UTI, Centro Cirúrgico e Berçário. Cada responsável pelo setor executa o protocolo de condutas para evitar infecções", afirma a médica infectologista do HMVB, Dra. Carmelinda Lobato.

Dra Carmelinda Lobato e a enfermeira Graciella Duarte


Dados do HMVB

Atualmente o Vital Brazil possui uma taxa de infecção hospitalar baixíssima. No último mês ficou em 0,78%. O Controle Antimicrobiano do hospital aposta numa auditoria de antibiótico que consiste em uma avaliação periódica da médica infectologista que analisa se o antibiótico recomendado pelo médico é o ideal para aquele caso.

"É indispensável o controle, pois, através dele se faz a consciência permanente dentro do hospital e com profissionais para evitar a infecção cruzada. As bactérias no hospital são mais difíceis de serem tratadas com o antibiótico, podendo surgir as superbactérias", explica a infectologista Carmelinda.

Além dos profissionais dos hospitais é preciso que a comunidade tenha consciência do seu papel na prevenção, de acordo com a enfermeira do SCIH Graciella Duarte. "A higienização das mãos é o meio mais barato e eficiente de se evitar infecções. Acompanhantes e visitantes precisam desta consciência", reforça.

Pelo menos 50% das infecções poderiam ser evitadas com a higienização correta das mãos. A técnica é ensinada mensalmente no Vital Brazil e nas campanhas internas realizadas. Álcool em gel é disponibilizado nos setores de assistência e dinâmicas são realizadas em cada setor, seja administrativo ou assistencial.

No hospital não ocorreu nenhum caso de infecção pela bactéria. Na região do Vale do Aço nenhuma suspeita foi confirmada. Em Minas Gerais, até o ano passado foram registrados 12 casos, nenhum deles com vítima. O estado campeão de casos é o Distrito Federal com 183 infectados.